Adolescendo

Eu era muito chatinha, às vezes. Extremamente possessiva com o que era meu, meus brinquedos principalmente. Preferia não brincar a permitir que outra criança pusesse as mãos em minhas coisas. Tomei muito pito por isso, mas dava de ombros e só pensava “o que é meu ninguém vai quebrar”. Sei lá de onde eu tirava isso, só sei que tenho bonecas com mais de trinta anos de idade…

O fato é que cresci. E aquela meninha que era tão linda tornou-se uma magricela com baixa estima. Eu continuava interessada em paquerar os meninos, mas sentia que eles não me davam muita boa, ao contrário das minhas amigas da época, que eram mais cheinhas e sempre namoravam aquele gatinho que eu também estava afim. Eu continuava querendo ter muitos namorados e lembro-me que nessa época eu desejei ser puta. Eu pensava assim, que uma puta não teria uma vida monótona, afinal, a cada dia ela transaria com um cara diferente. O que me fez dar um tempo nessa idéia foi o fato de que, ao menos em tese, a puta deve sair com cada trabuco que ninguém merece.

Apesar de ter idéias insanas, eu era bem comportada. Acho que meu pai teve feeling, ele deve ter percebido que eu seria “fogo na roupa” se ele não podasse minhas asinhas. Então eu era mais ou menos ameaçada por ele, do tipo “não vá aprontar, confio em você” e com aqueles olhares que só um pai consegue dar, eu tremia na base de pensar na surra que eu levaria se saísse da linha. Nunca apanhei de ninguém, nem pai, nem mãe, nem nada. Mas meu pai não hesitaria em descer a mão se eu aprontasse alguma (ou será que hesitaria?). Enfim, meu primeiro beijo aconteceu e eu já tinha quatorze anos – ele dezoito. O I. tornou-se minha paixão (não correspondida, claro) após esse beijo. Ele foi tão doce, tão paciente e tão carinhoso que mesmo sendo o primeiro beijo foi uma delícia. Eu jamais esquecerei o I., mesmo ele tendo me ignorado após isso (ele era apaixonado pela Macarrão) e apesar de ter sofrido com a frieza dele, ele foi o primeiro beijo e foi extremamente competente quanto à isso. Por um longo período eu alimentei a esperança de que ele visse em mim alguém especial, e essa esperança somente morreu quando ele, o I. também morreu (em um acidente aos 21 anos de idade). Acho que foi da idealização desse rapaz que eu tornei-me tão fanática por morenos altos e magros. Bom, mesmo meninota eu já apreciava um moreninho e nunca coloquei muita fé nos branquelos. Sei lá, um dos primeiros guris com quem fiquei, foi quase um namorinho, era branquelo e beijava muito mal. Já o primeiro namorado, o Lagarto, era moreno e beijava que era uma delícia.

O Lagarto foi muito sacana comigo. Nosso namoro terminou antes de completar dois meses (eu tinha dezesseis anos nessa época), pois ele deixou de sair comigo para ir a uma festinha e ficou com uma guria lá. Nessa época eu morava em outra cidade e fui passar o final de semana onde ele morava (e meus pais também) na intenção de namorar e ele aprontou essa. O Dilo, que era muito amigo meu e meu irmão não me deixaram sozinha em casa porque o Lagarto foi um fdp. Ao contrário, foram me buscar e nós saímos. Mas cidade pequena é uma merda mesmo, vi o carro do Lagarto em frente à essa casa da festa e pedi ao Dilo para verificar, então ele volta com a notícia que o Lagarto estava lá e com uma guria. Putakiupariu, eu chorei muito.