Brigde To Cross

Hands on the wheel
All is straight ahead
Left behind
Second guessing all that I once said
I once said
I once said

My spirit is bent and there's blood on my hands
The more I'm down, the less I understand
Once so found, now so lost
I ask no questions, it's just one more bridge to cross

All is black and white
Wouldn't change even if I could
I'll take what I'm handed
Whether it's damned or if it's good
If it's good
If it's good

My spirit is bent and there's blood on my hands
The more I'm down, the less I understand
Once so found, now so lost
I ask no questions, it's just one more bridge to cross

My spirit is bent and there's blood on my hands
The more I'm down, the less I understand
Once so found, now so lost
I ask no questions, it's just one more bridge to cross
I ask no questions, it's just one more bridge to cross
I ask no questions, it's just one more bridge to cross
(Black Label Society)

Nothing Compares To You

Não queria transformar esse blog num muro de lamentações, num diário bizarro da minha vida. Nem queria por o carro à frente dos bois e fazer parecer um daqueles romances que começam pelo final e depois fazem as coisas mudarem tanto que você fica se perguntando no meio de tudo “mas que porra é essa?”.

Mas hoje estou bem deprimidinha, aliás ando assim no último mês, com uma tal freqüência que me assusta esse fantasma que eu pensava preso no passado. Me assusta pensar que entrarei em nova crise depressiva, porque se isso acontecer talvez dessa vez eu não consiga ser forte o suficiente para me manter a salvo de mim mesma.

Nothing Compares To You porque estava ouvindo essa música e ele, LA, após um casamento mal-sucedido, após apenas quatros meses do final já está pensando em se enredar de novo. Não tenho nada com isso, como ele disse, eu sou sua amiga. Não sei dizer se isso é bom ou ruim, só se sei que amigos não costumam se perder um do outro e por ele, mil vezes.

ciumes

Sei lá que tipo de sentimento desenvolvi, mas fico enciumada quando sai com uma qualquer ou quando se amarra em uma outra. Se ele sair com quantas quiser, que sejam minimamente bonitas e decentes e sem o risco de envolvimento emocional, não me importo tanto. Mas se sai com umazinha desclassifica da vida ou se pensa em se amarrar, dai eu já não gosto. Eu sou uma total idiota. Nada ver isso tudo, mas com ele senti-me totalmente bem e o desejo muito. Mas desejar não é nada, eu também desejo outras pessoas, mas, apesar de desejar e ter outras pessoas, comparo-os a ele. E ele sempre ganha. Então ele fica morando nos meus pensamentos e desejos de tal forma que não tenho nem tentado encontrar outro que consiga atrair-me mais que ele. Nas primeiras linhas já descarto, já sinto que não será.

Então é isso. Tem um monte de coisas acontecendo, na minha vida familiar, na minha vida pessoal, na minha vida profissional e ainda tenho o fantasma desta doença me rondando.

E acho que essa sensação de hoje foi um tanto desencadeada pela Menina Má do Llosa ou talvez pela própria Menina Má que habita em mim.

Inrretudes

Menina Má me impressionou. Um amor assim não é normalmente visto por aí e senti-me um pouco parecida com ela. As aventuras e viagens da menina são semelhantes aos meus desejos antigos e inesquecidos, mas ao contrário dela sempre permaneci ao lado de meu Ricardito, levando uma vida pequeno-burguesa de dona de casa da classe média. Minhas travessuras sempre são cuidadas o suficiente para que o bom menino não tome-se por exaspero suficiente para deixar-me e então fazer com que eu me torne a figura esquelética, doente, solitária e sem teto que eu temo, desde os primórdios da minha vida. Isso não significa que meu Ricardito não se aperceba de minhas traquinagens, talvez apenas não tenha disposição suficiente para buscar a certeza, pois a certeza nos impele a decisões que às vezes contém um preço que não nos dispomos a pagar. Por vezes, a ignorância é uma benção, pois nos mantém num estado de tranqüilidade e conforto perfeitamente toleráveis.

Os caminhos de Lily são tortuosos e fascinantes. Dolorosos, por vezes, assim como poderiam ter sido os meus caso houvesse cedido aos meus impulsos beligerantes. Não sei que maldido bom-senso manteve-me impávida durante tantos anos e suas travessuras fizeram-me pensar nas minhas, Somocurcio tem um pouco de Ulisses, embora com uma bondade, uma paixão e uma devoção muito mais ampla e altruísta, muito mais aberta e declarada, muito mais amante e fiel.

Durante essa semana o que mais me ocorreu foi a frase de uma música que, por acaso, ouvi na rádio no caminho entre casa e trabalho: “… por te ver andando reto entre tudo que há de incerto em mim…” e desde então esse refrão martela em minha mente junto com minhas “inrretudes”, se assim posso chamar, com devida licença de Aurélio.

 

 

Sempre Existe um MAS…

Aos quatorze eu dei e ganhei o meu primeiro beijo. Até hoje guardo os detalhes, as cenas, meus sentimentos em relação à esse acontecimento. Não poderia ter sido melhor, não poderia ter sido mais gostoso do que foi. O I. realmente foi um cara especial, sorte daquelas que puderam namorá-lo.

O segundo cara que beijei foi o Ricardo, um louro aguado que disse depois (espalhou) que eu não sabia beijar. Quem não sabia era ele, louro insosso, afinal eu aprendi com I. e foi uma tarde de beijos deliciosos com o moreninho. E ele sempre querendo mais, então a sem-graceza do beijo com o Ricardo foi culpa dele mesmo, onde já se viu achar que meter a língua boca adentro é beijo de língua? Há beijos e há beijos.

Então vamos lá, quem eu lembro… I, Ricardo, Lagarto, uns meninos da faculdade de Odonto (só beijos, só beijos, nem lembro seus nomes – aliás não lembro o nome de muitos deles). Engraçado fuçar a memória, vai aparecendo cada coisa. Enfim, meu segundo namorado foi o MAS, um carinha que apaixonei a primeira vista, curti a paixão durante um ano só olhando (eu indo para o colégio, ele indo também, direções opostas), curti na lembrança tentando encontrá-lo pela cidade por mais um e meio ano, quando, finalmente, no bar do Nunes, topei com ele. Eu e uma amiga numa mesa, ele e os amigos em outra. Boteco de azaração adolescente, inverno, bebidas quentes, muita gente, colegiais e universitários e eu com dezesseis aninhos. Falei para minha amiga Gi “é ele, é ele”. Meu Deus, eu fiquei muito feliz e ela, toda sabida, mandou-me enviar a ele um torpedo, ao que eu prontamente fiz e então ele veio falar comigo. Deu-me seu telefone, pediu-me que ligasse para ele no próximo final de semana (eu não tinha telefone em casa, morava em pensão) para sairmos. Fiz isso e fomos ao cinema, antes de ir, porém, ele passou na casa dele e apresentou-me para a família. Assim começamos a namorar, um namoro puro, delicioso, em família. De família. Íamos ao cinema, eventualmente a algum bar, almoçar aos domingos com a família dele e depois disso esticar-se no sofá da saleta, portas fechas e ouvir música. Infinita Highway era a balada do momento e meu coração enchia-se de paixão por ele. Dois anos mais velho que eu e totalmente respeitador. Nunca se atreveu comigo e eu curtia demais estar com ele. Com ele aprendi a gostar de Marina Lima, com ele tive um dos melhores namoros da minha vida e o MAS foi fantástico comigo, até na hora de dar-me um pé-na-bunda.

Foi assim, era carnaval e ele foi para Balneário Camboriú. Lá a irmã dele apresentou-o a uma amiga, que era de nossa cidade, e a talzinha deu em cima dele. Agora realiza comigo, faça a imagem mental: ele 19 anos, ela 13, eu 17. Ele todo santo comigo, porém um jovem de 19 anos, hormônios ebulindo, certeza. Ela linda, morena, longos e lisos cabelos, olhos meio puxadinhos, meio índia, bundão, peitão, cinturinha, atrevidíssima. Eu, loira, linda, olhos claros, branquela até falar chega, magrela até falar chega, peitinho, bundinha, perninha, toda inha e recatada. Eles sob o sol de Camboriú, calor na pele e nas entranhas. Eu a centenas de km de distância, na casa da tia, ao lado primo e do amigo dele que não parou de paquerar-me um instante (e eu não resisti, beijamos-nos e eu morri de arrependimento depois, de culpa por ter traído o meu MAS). No entanto o MAS fez a mesma coisa e logo após o carnaval encontramo-nos, ele pediu um tempo porque havia acontecido tudo isso na praia e agora ele e ela estavam ficando. Pediu-me um tempo e eu dei. Fazer o que, afinal? Aborreci-me muitíssimo, mantive a dignidade, não fiz escândalo (eu nunca faço escândalo – a não ser no gozo prá lá de intenso).

O que se seguiu a isso foi de um mau gosto profundo. Ele ia buscá-la todos os dias na porta do colégio, a maldita estudava no mesmo colégio que eu, e eu ficava olhando os dois, mortificando-me de tristeza. Não sentia raiva, sentia mágoa, dor, luto. Era horrível. O namoro deles não durou uns dois meses (eu ele ficamos juntos oito meses), e eu não deixei de ir à casa da minha ex-sogra, eu gostava dos pais deles embora a minha timidez impedisse que nós conversássemos muito. Mas eu gostava dela, da sogrinha, gosto até hoje. Algum tempo depois dessa tragédia, acho que um ano mais ou menos, eu ainda mantinha contato com ele e a família e um belo final de semana convidei-o para sairmos, irmos tomar um sorvete a noite. Chamei a J., minha colega de quarto da pensão e ele chamou o Risada, grande amigo, vivia rindo, um barato o cara, eu gostava dele. Saímos os quatro eu eu, ousadia das ousadias, cortei uma saia preta, linda, de veludo, para transformá-la em mini-saia. E assim saí, mini, sapatilha, meias pretas, blusa de lã preta, gola alta. Sim, fazia frio naquela cidade e não lembro se fomos tomar sorvete a noite com frio, acho que fiz confusão, não era sorvete mas também não lembro mais o que era. Só lembro da cara do MAS, embasbacado, ele não conversa conosco, ele só olhava para minhas pernas e babava. Ele ficou doido, ele amou aquela roupa, amou minha ousadia, meu atrevimento, ele viu que eu não era uma idiota assexuada, naquela noite ele percebeu que eu também poderia ser sensual. Ao voltarmos para casa ficamos sozinhos no carro, um pouco, eu tinha hora para entrar na pensão, um saco essa vida de ser “menor de idade” e morar em pensão cheia de regras. Mas enfim, nos beijamos e ele confessou que seu namoro com a talzinha não durou porque ela era fácil demais (veja bem, morávamos em uma cidade ultra-conservadora, uma babaquice, mas era assim que era e aposto que ainda é, vinte anos depois), a guria tinha treze e ele dezenove ele a achou “dada” demais. Eu adorei ouvir, afinal não o perdi totalmente, ele confessou que eu era sim uma mulher de verdade (do alto dos meus dezessete anos, quase dezoito na época). Mesmo assim ele não retornou para pedir-me em namoro de novo, e eu estava indo embora para outro lugar, meu tempo ali estava esgotando, meus pais moravam a mais de dois mil quilômetros de distância e eu estava indo, dali a dois meses, morar com eles novamente.

Foi uma pena, fui embora apaixonada pelo meu MAS, torcendo até o último minuto que ele aparecesse e me pedisse para ficar, eu ficaria. Eu iria visitar meus pais mas não levaria minha mudança, eu voltaria para ser a namorada dele, para ser dele de corpo e alma. Infelizmente a juventude e a inexperiência, somados ao medo de sermos apontados, de sermos julgados mal e de sermos criticados por uma sociedade conservadora impediu-me de ir até ele e dizer-lhe o que eu ainda sentia por ele e o que eu queria com ele. Alimentei essa paixão anos a fio, mesmo casada, ainda telefonava para ele, vez por ano, vez ou outra para saber da vida dele, como ele estava e tal. Desencantei de vez quando eu já contava com uns trinta anos na cara e ele disse-me que estava morando junto com outra lá. Então meus sonhos infantis de um dia desses encontrá-lo e vivermos o que não foi vivido acabaram-se.

*  *  *

Revival Revival Revival Revival Revival Revival Revival

Revival Revival Revival Revival Revival Revival Revival