Decisions, Decisions…

Há dias penso no meu relacionamento com MV. Outro dia pensei em não aparecer no msn, digo, em não deixá-lo saber que eu estava on-line. Eu sabia que seria difícil, e tanto foi que não agüentei, assim que entrei ele estava on e eu logo o chamei. Eu amo-o de uma forma que não consigo explicar. Há quatro anos penso nele quase diariamente, o período de menor freqüência foi quando ele me disse que estava com a fulaninha e apaixonado e tal. Deu-me um “chega-prá-lá” e eu fiquei na minha, tentando não pensar nele e efetivamente consegui por um período. Mas nunca apaguei as fotos dele do meu pc, nem aquele vídeo em que ele canta a mesma canção que cantou ao telefone para mim.

Fisicamente ele é o tipo que sempre sonhei: moreno, alto, forte, rosto lindo, sorriso perfeito. Educado e gentil até falar chega. Na cama é forte e dominador e eu adoro isso. Fiquei apaixonada por ele quando nos conhecemos, e isso era virtual. Eu sentia-me uma idiota, burra e infantil por estar curtindo um cara que nunca havia visto, senão por fotos. Quando ele cantou ao telefone, foi muito engraçado, eu sentia ele tímido e ao mesmo tempo ousado em querer agradar-me, em tentar conquistar-me. Eu sou mais velha que ele, dez anos. Ele havia acabado de se formar, estava morando com os pais para estudar para a prova da residência. Vinte e três anos, solteiro, filhinho da mamãe. Eu trinta e três, casada, uma filha. Aquilo era loucura, mas eu adorava os minutos que passávamos ao telefone ou no msn. As mensagens que ele enviava por sms e todo o carinho e atenção que ele me dispensava. Obviamente que meu casamento não estava bem há um bom tempo e ele foi um sopro de esperança em meu espírito. Muitas coisas aconteceram e nos afastamos e depois voltamos a nos falar e então poucos meses atrás eu o encontrei. Encontramo-nos.

Entre um vôo e outro, que fiz questão de serem o mais distantes possível, fui até o apartamento dele. Hoje já mora sozinho, muito embora ainda, acredito, tenha parte do sustento garantido pelos pais. Compreensível, está estudando. Ao abrir a porta do elevador, vi que sua porta estava entreaberta e então bati ligeiramente com os nós dos dedos e fui entrando, na ponta dos pés, com medo de estar no apartamento errado. Eram dez e meia da manhã e ele veio ao meu encontro, vestido em roupa social, todo de preto. Eu sempre o achei lindo. Enquanto eu me dirigia até sua casa, ia no táxi pensando em como seria esse nosso encontro, o que ele poderia fazer, o que eu sentiria, como tudo seria após isso. Eu imaginava, e até disse a ele, que se nosso encontro acontecesse seria um evento único e o fim de tudo que há entre nós, pois seria, para mim, muito difícil continuar relacionando-me com ele no plano virtual e à distância após ter colocado em xeque a finitude de meus sentimentos ou, melhor dizendo, a infinitude deles. Eu disse a ele que não falaria mais com ele e que isso seria algo definitivamente do passado.

Ele encontrou-me já no meio de sua pequena sala, apart-hotel só não é pior que quitinete porque é mais elegante. Deixei minha bolsa e minha pequena maleta sobre o único sofá e virei-me para abraçá-lo. Foram palavras cortadas, beijos e abraços. Em nosso abraço eu senti o quanto eu o pertencia e o quanto eu o desejava e amava e queria para mim. Ai que delícia sentir aquele corpo contra o meu, tão mais alto e maior que eu, me acomodando, me aconchegando e apertando. Ele tirou os sapatos e meias e novamente nos apertamos. Comecei a despi-lo, desabotoando sua camisa e beijando cada pedaço de corpo que ia sendo revelado. Passei para trás para ver suas costas e a beijei em todo canto que alcancei, depois soltei suas calças. Empurrou-me para a cama e jogou-se sobre mim, começou a despir-me pelas botas, jeans, camisa. Virei-me sobre ele e senti seu tesão. Que sensação maravilhosa!! Escorreguei sobre seu tronco e encostei o rosto sobre sua cueca, sentindo seu cheiro, apertando-o com a boca e imaginando como ele seria ao vivo, vendo-o sob a roupa, todo apertadinho, gritando para sair. Eu não consigo descrever o que senti ao começar a tirar sua cueca, a expectativa de vê-lo aparecendo aos poucos, o desejo de beijar, de apertar, de tomá-lo como propriedade minha. Dali para frente foram horas de amor e delícias, horas em que pensava não acreditar estar com ele após tanto tempo e que estivesse sendo tão bom, apesar dos desencontros, apesar de tudo. Tomamos banho juntos e ficamos no chão do chuveiro, eu em seu colo, com os pés para cima apoiados na parede, conversando. Ele cantou de novo, tão lindinho cantando. Emprestou-me uma camisa ficamos deitados vendo um pouco de tv. Adormecemos, ele abraçando-me com braços e pernas, talvez seja abraçando-me e apernando-me. Fiquei praticamente escondida e envolta por seu corpo, muito bem protegida. Mais amor e mais banho e depois fui embora, feliz e saltitante.

Continuamos, ao contrário das minhas predições e promessas, falando via msn. Telefone às vezes. Semana passada eu senti-me cansada dessa história. Estou com quase quarenta anos, daqui pra li é um pulinho. Ele está com quase trinta e ainda ouve a mamãe. E a mamãe odeia-me, ela nem me conhece e fez ele afastar-se de mim e acha-me uma aproveitadora. Eu queria saber de que, se é da juventude e gostosura do filho ou do que ele ainda não é e não tem. Pois ser e ter hoje eu sou e tenho mais que ele. No entanto não o suficiente para a aprendiz de megera, que só aceitaria-me como norinha se eu fosse rica, mesmo que fosse mais velha, separada e com filhos. Agora, como não sou milionária, então ser mais velha, ter filho e a ser possivelmente uma mulher separada encaixa-me na qualificação de mera aproveitadora. Ela não seria nada para mim se ele não desse-lhe ouvidos. Às vezes acho que ele a usa como desculpa para não assumir. Eu não sei. Quando fico brava ele se enche de desculpas comigo, diz que me adora, que é para eu para com isso, que sempre vai me desejar e quer ter a mim mesmo quando estivermos gagá. Neste dia, semana passada, disse que seu namoro com a talzinha já não vai bem após ter estado comigo, que ela não o completa nem emocionalmente nem sexualmente. Mas eu, por outro lado, apesar de sexualmente estar muito bem cotada, tenho, digamos, qualidades que ele teme, como a possibilidade de eu ser infiel, assim como sou hoje e ainda o fato da mamacita não aceitar-me e isso tornaria a vida dele um verdadeiro inferno. Às vezes eu odeio essa mulher. Falamos sobre essas coisas semana passada, eu fui um pouco dura, áspera e talvez até chata, em conseqüência deste meu cansaço da situação. Tem uma semana que não falo com ele, que não o vejo no msn e estou muito triste.

Hoje, a caminho do shopping, enquanto andava por seus corredores, olhando vitrines e desviando de pessoas, eu pensava sobre o que quero. Quero uma companhia, quero ele como meu companheiro, meu amigo, meu marido, meu amante. Eler quer a mim como amante. Aquela que o satisfaz mas que não é a pessoa certa para apresentar à família e aos amigos. Eu sentiria-me muito bem exibindo-o para os meus, mesmo com as críticas que inevitavelmente eu receberia. Mas eu não quero ser a outra, não quero levar uma vida escondida, uma vida enganando a mim e a quem está comigo. Trair é uma merda, trair é broxante. Eu quero alguém que vá comigo ao supermercado, que encoste seu pé quente em meu pé gelado e que fique enrolando pela manhã, na preguiça de levantar. Sou uma pessoa de pequenas rotinas, rotinas que eu adoro e necessito, pois necessito de um ombro, de um colo no domingo, de telefonemas idiotas durante o dia. É assim que eu o quero, e não com horas marcadas e tendo que controlar as mordidas para que não vejam as marcas de nosso encontro.

Se eu tivesse muito dinheiro eu o compraria para mim. Jogaria o dinheiro na cara da senhora sua mãe e compraria sua simpatia por mim. Talvez assim ela desse-me paz. Mas isso também não seria garantia de nada. Poderia criar animosidades, mas às vezes penso nisso. Pensei hoje, de novo. Às vezes eu falo para ele o quanto me desagrada a atitude de sua mãe, eu sinto que ele fica um pouco chateado mas não tenho conseguido segurar a raiva que sinto dessa situação. Talvez se ela não interferisse, nós já tínhamos ficado juntos, nos desiludido mutuamente, e estivéssemos totalmente separados. Mas não, fica esse clima de “não pode”. Um saco.

Não quero passar minha vida assim, esperando por ele ou por quem quer que seja. Minha vida é curta, é rápida e está aí, acabando minuto a minuto. Está chovendo muito e estou assim por dentro também, lacrimosa, fechada, cheia de nuvens.

Sinto-me um pouco assim:

 

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