Chapeuzinho Vermelho

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Não aguento. Piadinha do dia: Chapeuzinho Vermelho do Séc XXI

Caminhava Chapeuzinho Vermelho no meio da floresta, quando aparece o Lobo e diz:

-Vou comer uma coisa sua que nunca ninguém antes comeu…

Responde a Chapeuzinho:

– Só se for o cesto…

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Ulisses

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É o nome do meu marido. Alexandra e Ulisses ou Ulisses e Alexandra.  Das duas formas fica bom e eu gosto desses nomes, dos nossos nomes. Acho que os sobrenomes não são legais, mas os nomes são. De qualquer forma, não fomos nós que escolhemos nossos nomes e sobrenomes.

Enfim. Casamo-nos certo dia, por certa ordem. E os sonhos desfizeram-se. Mas o que mais me chateia é o quanto ele não me enxerga. Eu digo-lho: não posso tomar leite, tenho intolerância, sinto muitas cólicas. E o que ele faz para o meu café da manhã, cheio de carinho? Chocolate quente.

Acho que ele pretende envenenar-me com leite…

Ninfeto

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Triiim. Não, não é “triiim”, é uma outra canção qualquer que coloquei como toque em meu celular. Atendi e pensei “até que enfim”, pois ficar quinze minutos dentro do carro esperando alguém é um saco. No entanto deu tempo para limpar a papelada inútil que acumulei na bolsa nesta semana.

– Você já chegou? – perguntou ele.

– Estou na quadra mas ainda não desci.

– Ok, estou aqui e vou pegar uma mesa para nós.

O convite foi algo estranho. Eu aceitar também, afinal nem curto tanto bar e muito menos cerveja. Sim, gosto dos dois, mas não dessa forma ou nesse horário ou com um estranho. Com um estranho, prefiro uma cafeteria que é algo mais discreto e tranquilo (caiu a trema, né? que pena, eu gostava tanto dela..). Mas aceitei e fui, a curiosidade é algo realmente perigoso, mas eu não consigo pensar no perigo. Só consigo pensar em “como será que ele é?”. No caso dele, algumas coisas a mais.

Avistei-o na mesa. Aproximei-me, sentei-me e ele beijou-me no rosto. Os assuntos foram banalidades do dia-a-dia, trabalho, famílias, truques de internet, fantasias. As dele. Cinquenta por cento do tempo eu pensava “meu Deus, estou em um bar com um estranho”, os outros cinquenta por cento do tempo eu pensava: quinze por cento “e se aparecer algum conhecido?”, quinze por cento “qual será meu álibi? xi, meu álibi, não o fiz…” e os vinte por cento restantes “até que ele é gostosinho”. Entenda “gostosinho”: magro, realmente jovem, lindos olhos castanhos com enormes cílios e sobrancelhas espessas, generosos lábios emoldurando um sorriso perfeito. A voz que ao telefone foi bastante grave e deliciosa de ouvir na madrugada, naquela tarde estava mais suave.

– Gostei de você. É melhor do que eu esperava, é bonita.

– Hm. E o que você esperava? Digo, qual imagem fazia?

– Bom, geralmente quando falo das minhas fantasias e alguma mulher se interessa, aparece uma gorda.

(risos)

-Hm. Eu também gostei de você. Não o vi direito na cam, mas achei você muito jovem. Você é muito jovem. Mas achei seus olhos lindos. Eu gosto de cílios assim.

(silêncio)

– Por que você está me secando?

– Nada, estou preocupada. Com o local, sabe? Cada vez que percebo que chega alguém, fico pensando se é uma pessoa conhecida.

– Quer trocar de lugar? Sentar-se de frente?

– Não, isso seria pior. Assim veem somente minhas costas, é mais difícil alguém identificar-me.

– Será que posso beijá-la?

Não foi um beijo mágico. Mas foi bom. Acho que o meu medo deixa-me travada e fria. Algumas vezes ele preocupou-se com isso, inclusive comentando posteriormente. Insistiu em sairmos dali. Eu também queria sair, mas ao mesmo tempo que tinha que ir embora, não queria ir. Fiquei profundamente atraída por ele. Acho que a loucura toda, nossas conversas, o fato de ele ser treze anos mais novo, as fantasias envolvidas, querer ouví-lo mais para sentir até onde posso ir, tudo mantinha-me ali, meio estática, observando, querendo não ir e querendo ao mesmo tempo. Se números representassem-me ao invés de carne e osso, seria eu composta oitenta por cento de desejos dúbios, quinze por cento de indecisões e apenas cinco de certezas. Mas iríamos para onde? Para o carro? Sinceramente, acho carro uma coisa tão de adolescente e eu já tive essa fase. Mudei de nível, igual game. Perde a graça. Mas era nossa opção, eu teria que ir embora logo em seguida. Eu não queria ir. Eu não queria avançar nenhum nível além da conversa, mas eu também queria ir. Queria ficar à vontade para beijar e sentir se eu realmente iria querer um segundo encontro. Fui. Minha curiosidade…

Eu queria ir no carro dele, por ser mais discreto para mim. Eu queria ir no meu por ser mais seguro para mim. Fomos no meu. Saí da rua movimentada e paramos numa tranquila, em frente a uma praça. Ali conversamos mais, beijamos mais e esquentou muito. As coisas inverteram um pouco, a fantasia dele passou a ser a minha, a minha passou a ser dele e conheci um pouco mais de mim, sempre muito subserviente, gostei de ser mais mandona. Mas não consigo isso todo o tempo, assim como ele não consegue o inverso o tempo todo – somos alternantes. Gostei do jeito gentil e carinhoso dele, assim como gostei da sua submissão e da sua dominação. Ele me acendeu muito e fui embora pegando fogo de um jeito que tive que apagar com o marido.

Pra Que Te Quero?

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Quando eu era muito jovem, achava que não existia outro tipo de relacionamento amoroso entre casais que não fosse através da monogamia. Era esse o meu modelo, e cresci assim. Quando alguém pulava a cerca, eu considerava como traição e ponto final. Não havia o que pensar a respeito, o que discutir. Apenas se o traído poderia ou deveria perdoar o traidor e essa é uma decisão pessoal.

Quando na fase jovem-adulta fui corneada algumas vezes e também corneei outras. E não morria de esquentar a cabeça com isso. Era fato. Um não agüentou de um lado, o outro não agüentou de outro e então o que nos restava era o perdão ou tocar a vida prá frente. Mas quando jovens, tudo é muito grave e normalmente, tocávamos em frente, com novas possibilidades.

Daí aconteceu o que eu menos pensava e planejava na minha vida: aconteceu o meu casamento. Eu continuava tendo o mesmo pensamento monogâmico e, invariavelmente, se alguém comentasse de alguma mulher sobre a suspeita de que ela traía o marido ou vice-versa, eu pensava “poxa, por que não sai do casamento então?”. Só que, ema ema.

Aconteceram muitas coisas em minha vida nos primeiros anos de casada que culminaram em eu apaixonada por outro cara e conseqüentemente, sexo com esse indivíduo. Quase morri de culpa (assunto para outro post). E no andar da carruagem da vida, acabei tornando-me um tanto cínica em relação à ser monogâmica. É difícil explicar  minha transformação sem fazer um flasback dos últimos 15 anos da minha vida, porém, o fato é que essa história de monogamia serve, na maioria das vezes, para tornar as pessoas infelizes, incompletas, reprimidas e mentirosas. Pois, se de um lado a pessoa mantém sua monogamia, ela mente a si e ao parceiro que não sente atração por outras pessoas. Por outro lado, se ela pula a cerca para satisfazer essa atração, ela novamente mente a si que vive um relacionamento monogâmico e ainda, também e de novo, conta a mesma mentira ao seu parceiro.

Na realidade, a monogamia é uma invenção por causa do direito de herança. Ou seja, a grana meteu a mão no lugar errado, de novo e como sempre. As pessoas tornaram-se hipócritas em relação à afetividade e ao tesão. Quando alguém levanta a bola da monogamia em alguma discussão, o que mais se ouve é que esse estilo é o mais racional, que nós, seres humanos, racionais que somos, devemos ser monogâmicos pois, até os pássaros X ou Y são monogâmicos. Ou seja, somos comparados a animais e se agirmos diferente desse padrão somos reduzidos ao menor valor do que possuem esse animais tidos como monogâmicos. Oras pois, em “O Mito da Monogamia” a dupla de pesquisadores descobriu e conclui, por rastreamento genético, que mesmo os animais tidos como monogâmicos fazem a cópula extra-par – CEP. Derrubou-se assim, o mito da monogamia.

Isso não quer dizer, em absoluto, que não existam casais realmente monogâmicos. Eu apenas gostaria de sentir o quanto os pares destes casais reprimem-se em nome da instituição monogâmica. E dos outros que pulam a cerca, se eles realmente acreditam no que vivem, na monogamia. Não sou contra um ou a favor de outro. Apenas gostaria que as pessoas parassem de apontar seus dedos imundos para as pessoas que não conseguem ser monogâmicas como se essas pessoas fosse fracas ou fossem a escória do mundo, o lixo, o aborto espontâneo da sociedade.

Isso não vai acontecer. Assim como a monogamia continuará a ser o modelo de muitos casais, que farão promessas, posteriormente as quebrarão e irão sofrer por isso. Seria mais fácil de deixássemos nosso egocentrismo de lado e víssemos nosso parceiro como alguém que vive e sente mesmo com nossa ausência. O mundo não gira em torno de nós, mesmo o mundo do mais apaixonado parceiro.

Você, que tem um relacionamento monogâmico, é absolutamente fiel? Ou seja, fiel em pensamentos, palavras e atos?