Frases de Efeito – 7

Nunca se justifique. Os amigos não precisam e os inimigos não acreditam.

Inimigo Oculto

Estava lendo os meus dois últimos post, onde falo sobre MV, Pp e Lú (apesar que também cito B e Ninfeto). Mas o que motivou este que agora escrevo é que, enquanto lia sobre Pp, sobre a forma como vejo e sinto ele, comparei-o com Ulisses, com o tipo de vida que tenho com Ulisses. Ulisses é super sério. Não ri de quase nada. Não consegue engatar uma conversa comigo sobre bobeiras. Não consigo conversar sobre sexo com ele, não consigo expor meus desejos e nem sondar os desejos dele. Ele está sempre com o cenho franzido, evita contato visual. Nossas conversas são extremamente resumidas, quase assemelha-se a conversa de vizinho de apartamento.

Lembro de um dia que eu quis instigá-lo sobre sexo com  outras pessoas, eu queria que ele dissesse quem, do convívio nosso, ele acha interessante, “pegável”, “comível”. Estávamos fazendo uma caminhada nesse dia, no parque que fica aqui perto. Foi mais ou menos assim:

– Ulisses, sabe o que eu e a Carla, lá do trabalho, estávamos conversando outro dia, sobre como há falta de homens interessantes hoje em dia. Ela, que já passa dos 35, separada, uma filha, carreira construída, não encontra um homem que seja “namorável”. Porque os que seriam interessantes ou são gays ou estão comprometidos. Os demais são novos demais e não tem grana para acompanhar o ritmo dela, de bares, restaurantes, motel bom e tal. Ficamos rindo, porque são justamente esses novinhos, que mal saíram da faculdade, ou ainda não saíram, que acabam paquerando ela e outras como ela na balada. A Jucélia está na mesma situação da Carla. Também reclamando da falta de homem “à altura”.

– Hm.

– Então, eu penso muita besteira né, você sabe. Daí fiquei pensando que alguns anos atrás eram as mulheres que ficavam de olho nos caras com boa situação, carro e tal. Daí casavam e elas ficavam em casa fazendo os gostos do marido, bolinho, sobremesa, essas coisas. Hoje em dia a gente anda na rua e eu reparo que a maioria dos bons carros são conduzidos por mulheres. Hahahahahahaha (ele continua sério). Daí fiquei imaginando se daqui a poucos anos não vai acontecer o contrário, os garotos querendo fisgar “A Mulher” e daí eles ficarem em casa, sendo sustentados e trocando receitas entre eles, tipo, o maridinho de uma conversando com o maridinho de outra e falando sobre culinária, por exemplo, como acontecia anos atrás com as esposinhas. Hahahahahahahaha. Seria hilário isso, mas se continuar assim, não duvido que a gente chegue a esse ponto.

(Ulisses continua sério e só fala “Hm”. Não ri e não dá opinião. E eu, feito uma tonta, quase conversando sozinha e rindo sozinha, para as árvores, para a grama talvez. Eu continuo com minhas divagações até que lanço a seguinte pergunta:)

– Ulisses, quem, das pessoas que conhecemos, você acha interessante, assim, teria vontade de ficar com ela?

Ele pensa um bom tempo e não responde.

– Ulisses, vai, queeemmm??

– Ah, acho que a Luana Piovani.

– Cara, a Luana?? Meu, a Luana não é alguém de nosso convívio. Se bem que, se fosse, acho que até eu pegaria ela. (Nesse momento dei a deixa para ele perguntar se eu curto mulher. E nada. Nada. Nada. Ele não perguntou. Prossegui com meu objetivo de saber quem, do nosso convívio.)

– Tá, olha, a Luana não vale. Tem que ser alguém conhecido nosso.

Ele pensa. Tá na dúvida se fala.

– Ah, acho que Paula.

– Quem é Paula?

– Que trabalha no escritório, a recepcionista.

– Ah sei, aquela morena bonitona que os nossos sobrinhos ficaram meio doidos com ela??

– Sim, ela.

– Seu malandro, de olho na recepcionista, heim? Hahahahahahahahaha.

Ele continuou sério.

– Ok, quem mais? Alguma esposa de algum amigo, alguém com quem a gente saia às vezes?

– Hm. A esposa do Ricardo é muito bonita.

– Verdade, é sim. Realmente, eu também acho.

Então fiquei esperando que ele prosseguisse com a conversa. Que ele perguntasse sobre o fato de eu ter comentado que até eu pegaria a Luana. Que ele perguntasse quem eu acho interessante do nosso convívio. Ele não falou mais nada, a conversa morreu aí. Terminamos nossa caminhada em silêncio e não houve mais, nem dias depois, nem meses depois, que ele voltasse nesse assunto, por qualquer motivo.

A gente não discute. Mas a gente também não conversa. Assim como não rimos juntos de nada. Eu não sei como ele agüenta. Eu não sei se ele é assim mesmo, se isso não o incomoda, ou se ele se aborrece com isso tanto quanto eu. Eu só agüento porque dou minhas escapadas. Sempre tenho um, dois ou três caras por quem eu me interesso e mantenho algum tipo de relacionamento com eles, seja só sexo, seja só amizade, seja um romancezinho besta. Enfim, é minha válvula. E ele? Não sei. Às vezes penso que ele sai com alguém nos finais de semana, quando diz que vai não sei aonde fazer não sei o que e eu nunca me interesso em ir junto. Talvez seja o momento do escape dele. Talvez não, talvez ele não minta para mim e apenas não se importe com essa situação.

Às vezes me sinto mal com isso tudo. Às vezes prefiro não pensar para não sentir. Às vezes quero que tudo vá para o inferno.

Enquanto Isso na Sala de Justiça…

É, eu não consigo evitar. Quando eu disse ao MV que tinha vontade de encontrar-me com o B., esse encontro já havia ocorrido. Um mês depois encontrei-me com o Ninfeto e realizei o desejo de sodomizar um cara. Logo depois disso conheci num chat o Pp, enquanto tentava aproximar-me do Lú. Conheci o Lú num site, depois num café, achei ele interessante, conheci o Pp num fast-food, achei-o interessante. Lú estava bem reservado comigo até que um dia abriu o jogo de lá e eu de cá. Enquanto isso, Pp ia em banho-maria. Banho-maria em termos, porque a gente se via de vez em quando, uma coisa meio adolescente, quase pura (acho engraçado, na minha idade, haver algo “quase puro”). Eis que na mesma semana que dá certo sair feito gente grande com o Lú, dá certo com o Pp. Ou seja, os dois banhos-marias cozeram quase juntos.

Num dia estava com Lú, morrendo de nervosa porque eu acho o cara simplesmente demais. E é. Maduro, corpaço, super bom-humor, me faz rir pra cacilda com suas histórias hilárias e fode muito. Quase chegou perto de me fazer pedir arrego. Quase, porque eu também sou dura na queda. Lú é amigo, um amigo para tudo o que eu precisar, inclusive para tardes quentes. Dia seguinte estava com Pp e eu com medo de compará-lo ao Lú e ele acabar perdendo na comparação. Sim, porque Lú é mais velho que eu e Pp é dez anos mais novo e isso, em termos de maturidade sexual faz uma grande diferença. No entanto eu a-d-o-r-o estar com Pp: ele é piadista, engraçado, muleque, gostoso, é um garoto nescau – energia que dá gosto. Fez tudo direitinho, deu-me uma canseira fdp e depois ficamos na cama fazendo piada com tudo. Essa é uma das coisas que mais gosto nele, a capacidade de fazer-me rir. Juntos, somos dois idiotas e isso é ótimo. Não tenho que ser séria com ele, posso falar o que vem à minha cabeça, podemos falar de nossos ex, podemos apreciar alguém interessante que passa por nós e podemos rir de tudo isso, inclusive um da cara do outro. Porque não é apenas o Pp que me faz rir, eu também faço o Pp rir. É uma troca e estou adorando isso. Não sei até quando irá durar, a gente nunca sabe, mas espero que dure um bom tempo assim.

Pp é assim, essa música é sua cara. Ou quase.

Decisions Parte II

Imagina se eu dou conta de tomar alguma decisão. É incrível a minha capacidade de perder-me em meus pensamentos, de viajar na batatinha e de distrair-me com o formato de uma nuvem qualquer.

O MV continua no meu msn. Continua sabendo quando estou on ou off. Nos encontramos em agosto e agora estamos em maio, ou seja, fazem 9 meses. Se fosse uma gravidez, estaria tendo o filho, hora do parto. Mas nem isso, nem parto nem recuo. Gente, o que acontece eim? Ele ficou uns três meses sumido, desde janeiro, quando eu disse a ele que estava afim de encontrar outro cara. Sim, essa abstinência absurda por ele que não é nada meu é mais absurda ainda do que uma simples abstinência. Ele zangou-se e sumiu, é um ciumento. Na realidade quando falei isso para ele eu já havia encontrado o B., mas omiti o fato para não deixá-lo mais puto ainda.

O B. foi tudo de bom, mas não é algo que dê futuro a alguém, digo, que valha um romance. Não que ele nada valha, pelo contrário, é um TDB, mas para mim não rola. Só sexo mesmo, e ainda assim recusei as demais investidas dele, as propostas para lá de indecentes que ele fez – e todas muito tesudas. Então, recentemente, o MV voltou a aparecer no meu msn, todo cheio de amor e saudades. Ele fala comigo como se eu fosse dele, uma namorada, uma amante ou alguém que é de alguma forma, toda dele e ele meu. Ele revela todo o desejo que sente e o até parece que gosta de mim. Disse que gosta, senão não estaria em contato comigo por tantos anos, sendo que tivemos apenas um encontro com sexo. Ou seja, que não é só sexo, que tem algo mais. Mas eu não consigo mais me apegar à essa idéia, apesar que o MV é o cara que todas sonham. Meldelsducel, esse homem merece tudo de bom nessa vida e eu mereço ele, com certeza. Mas não consigo entender porque não sonho mais com ele, porque não o desejo mais em minha vida como o desejava antes. Ele é lindo (cara e corpinho de modelo), inteligente, tem boa profissão (neurocirurgião), jovem, cheio de energia (transar com ele é uma maratona), tem um pau que vamos respeitar, carinhoso, gentil, culto, um doce de homem. Acho que a indecisão dele deixou-me indecisa também. Talvez eu tenha me afastado desse sentimento para não sofrer ainda mais com essa história. Minha vida é uma confusão da qual eu não consigo sair, então prejudico-me e crio essa tensão nele, que acaba voltando para mim.

Enfim, a minha decisão de afastar-me dele não deu certo. Eu continuo falando com ele, embora menos empolgada com tudo.

Nós temos muitas coisas em comum. Muitas mesmo, e uma delas é curtir rock. Ele é até vocal de uma banda de rock e adora Pearl Jam. Quando estivemos juntos, ele cantou algumas músicas para mim enquanto tomávamos banho. Pense na cena, os dois embaixo do chuveiro e ele cantando para mim, não é lindo? Meu rockeiro particular cantou, entre outras, Last Kiss: