Trair ou Não Trair, Eis a Questão!!

Normalmente sou questionada sobre isso, sobre o porque das minhas escapadas. E é difícil responder isso com clareza, é difícil racionalizar todos os sentimentos envolvidos nessa decisão e explicar, da forma real, de forma que a outra pessoa entenda esses motivos.

Nunca há um motivo apenas. Nunca é uma decisão tomada da noite para o dia. Nunca é algo que acontece sem sofrimento. Aos olhos da maioria é uma ato egoísta, incorreto, desleal. E em parte é isso também. É complicado aceitar que não sou perfeita, que não sou a pessoa ideal, que não sou aquela que eu imaginei que um dia seria. É complicado, é difícil ver-se do lado de cá, do lado daqueles que são apedrejados e não poder dizer “vocês não têm razão”. Não posso dizer porque se eu colocar-me do outro lado, verei as razões deles, no entanto raramente alguém coloca-se ao meu lado para ver as minhas razões e tentar entendê-las.

Às vezes a forma como coloco as coisas, como expresso minhas opiniões no Orkut, no blog, nos chats da vida, a forma direta e clara como expresso o que penso sobre relacionamentos fazem ver-me como alguém que não está nem aí para os sentimentos do outro. Mas não sou assim. Preocupo-me com os sentimentos dos outros, mas cansei-me de ser via de mão única, cansei de apenas eu preocupar-me, apenas eu a fazer tudo para agradar, apenas eu a doar-me e não receber o mínimo de volta.

Eu jamais quis que minha vida fosse assim. Eu tentei fazer diferente. Eu tentei sair do casamento, eu tentei ser honesta em relação a isso. Nós havíamos combinado que quando não desse mais para um de nós, que iríamos falar, que pediríamos para sair. Eu tentei, eu quis sair disso. Mas eu fui ameaçada. Fui ameçada de perder o que mais amo na minha vida, o que tenho de mais precioso e sem chance de defesa. Mais de uma vez.

Essa situação de estar num relacionamento que eu não queria mais, mas ao qual eu fui delicadamente forçada a ficar para não perder a essência da minha vida, corroeu-me. Matou-me em vida. Transformei-me num zumbi, numa morta-viva vagando pelo inferno da depressão, por anos. Foi difícil sobreviver, foi difícil encontrar motivos para sorrir novamente, foi difícil recuperar a pessoa que eu era antes disso. Ainda hoje não estou totalmente recuperada, mas já consigo lidar muito melhor com tudo e já tenho minhas armas para não cair nesse precipício novamente.

Isso não justifica a “traição”, mas talvez explique que para continuar vivos precisamos sorrir. E eu tenho que encontrar motivos para meus risos em algum lugar. Essa é uma das minhas armas, eu não faço isso para ferir o ego de ninguém ou para vingar-me de qualquer coisa que seja. Faço por mim, porque de alguma forma me diverte, me dá prazer e me faz sentir que a vida está sendo vivida e não que a vida está apenas passando.

Preferiria que não fosse assim. Mas não foi uma decisão unicamente minha. Ele tem grande responsabilidade nisso, quando ameaçou-me, mesmo sabendo que eu não tinha condição nenhuma de defender-me.

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Uma Palavrinha

Estava navegando na web e por acaso comecei a ler sobre numerologia e acabei em sinastria. Copio aqui um trecho que achei muito interessante pois reflete, de certa forma, como vejo os relacionamentos de modo geral:

“Uma palavrinha: antes de ter a expectativa de viver na relação um estado perene de romance, ou de tentar o “e foram felizes para sempre”, um cuidando do conforto do outro, o ideal seria que os relacionamentos pudessem proporcionar a maior chance possível de crescimento e desenvolvimento pessoal. E não há desenvolvimento sem crise, nem relacionamento sem conflito.

São nossos problemas que nos ajudam a ir adiante. Mais do que desejar um amor romântico, cheio de adrenalina, o que precisamos para sermos felizes é trabalharmos para manter as condições de diálogo, praticar a tolerância um com o outro, estabelecer a confiança mútua e, sobretudo, estarmos dispostos a transformarmos a nós mesmos, e não ao outro! ”

Para quem quiser ler mais: http://www1.uol.com.br/bemzen/ultnot/astrologia/ult48u383.htm

Blá-Blá-Blá Eu Te Amo !! (???)

A vida é cheia de blá-blá-blá mesmo. Se as pessoas se contivessem a dizer o estritamente necessário talvez houvessem menos confusões por aí. E menos dores e decepções também. Ou seja, falamos demais e dizemos de menos. Essa é a história da humanidade e não precisamos ir longe, basta lermos jornais, revistas e livros que pretendem ser sérios (hahahahaha).

Mas o motivo do bl-á-blá-blá é o Pp. Eu sarei (rápida não é?). Mas o remédio eu citarei em outro tópico, porque este dará uma “caldeirada”. O motivo deste é mesmo Pp. Fiquei ausente da net, voltei a falar com ele aos poucos, ainda em processo de “cura”, mas tenho mantido-me realmente afastada das conexões virtuais por onde ele anda. Então estamos nos falando bem menos. Quase nada em vista de antes. E ele está sentindo falta. E eu estou rachando de rir. E ele pediu-me ajuda com o presente da namorada, eu ajudei, sem dores, numa boa mesmo. E ele continua dizendo que me adora e que eu sou o “amore” dele e blá-blá-blá. E no meio de tanto blá-blá-blá ele já disse, algumas vezes, que quer continuar encontrando-me, pelo menos uma vez por semana, que agora o “jogo está empatado”, já que eu tenho um marido, ele tem uma namorada (inocente esse moço). E que eu não devo sair com nenhum outro porque ele tem ciúmes (hahahahahahaha me faz rir!!). E novamente foi um monte de blá-blá-blá e eu fico pensando “ok, eu sou tudo isso sim, sou ótima nisso, naquilo e naquele outro também mas, sinceramente, não estou afim.” No entanto estou levando-o em banho-maria por uns dias, até o meu “remédio” fazer total efeito.

Acho tudo isso muito típico. O cara termina mas quer continuar pegando. Eu até não me importaria tanto com isso, afinal eu tenho meus perrengues e meus impedimentos mas acho isso tão estranho e ridículo que fico completamente desmotivada. Agora só falta eu falar “Não. Não te quero mais, estou em outra situação” e ele retrucar “Blá-blá-blá eu te amo!”.

Inimigo Oculto

Estava lendo os meus dois últimos post, onde falo sobre MV, Pp e Lú (apesar que também cito B e Ninfeto). Mas o que motivou este que agora escrevo é que, enquanto lia sobre Pp, sobre a forma como vejo e sinto ele, comparei-o com Ulisses, com o tipo de vida que tenho com Ulisses. Ulisses é super sério. Não ri de quase nada. Não consegue engatar uma conversa comigo sobre bobeiras. Não consigo conversar sobre sexo com ele, não consigo expor meus desejos e nem sondar os desejos dele. Ele está sempre com o cenho franzido, evita contato visual. Nossas conversas são extremamente resumidas, quase assemelha-se a conversa de vizinho de apartamento.

Lembro de um dia que eu quis instigá-lo sobre sexo com  outras pessoas, eu queria que ele dissesse quem, do convívio nosso, ele acha interessante, “pegável”, “comível”. Estávamos fazendo uma caminhada nesse dia, no parque que fica aqui perto. Foi mais ou menos assim:

– Ulisses, sabe o que eu e a Carla, lá do trabalho, estávamos conversando outro dia, sobre como há falta de homens interessantes hoje em dia. Ela, que já passa dos 35, separada, uma filha, carreira construída, não encontra um homem que seja “namorável”. Porque os que seriam interessantes ou são gays ou estão comprometidos. Os demais são novos demais e não tem grana para acompanhar o ritmo dela, de bares, restaurantes, motel bom e tal. Ficamos rindo, porque são justamente esses novinhos, que mal saíram da faculdade, ou ainda não saíram, que acabam paquerando ela e outras como ela na balada. A Jucélia está na mesma situação da Carla. Também reclamando da falta de homem “à altura”.

– Hm.

– Então, eu penso muita besteira né, você sabe. Daí fiquei pensando que alguns anos atrás eram as mulheres que ficavam de olho nos caras com boa situação, carro e tal. Daí casavam e elas ficavam em casa fazendo os gostos do marido, bolinho, sobremesa, essas coisas. Hoje em dia a gente anda na rua e eu reparo que a maioria dos bons carros são conduzidos por mulheres. Hahahahahahaha (ele continua sério). Daí fiquei imaginando se daqui a poucos anos não vai acontecer o contrário, os garotos querendo fisgar “A Mulher” e daí eles ficarem em casa, sendo sustentados e trocando receitas entre eles, tipo, o maridinho de uma conversando com o maridinho de outra e falando sobre culinária, por exemplo, como acontecia anos atrás com as esposinhas. Hahahahahahahaha. Seria hilário isso, mas se continuar assim, não duvido que a gente chegue a esse ponto.

(Ulisses continua sério e só fala “Hm”. Não ri e não dá opinião. E eu, feito uma tonta, quase conversando sozinha e rindo sozinha, para as árvores, para a grama talvez. Eu continuo com minhas divagações até que lanço a seguinte pergunta:)

– Ulisses, quem, das pessoas que conhecemos, você acha interessante, assim, teria vontade de ficar com ela?

Ele pensa um bom tempo e não responde.

– Ulisses, vai, queeemmm??

– Ah, acho que a Luana Piovani.

– Cara, a Luana?? Meu, a Luana não é alguém de nosso convívio. Se bem que, se fosse, acho que até eu pegaria ela. (Nesse momento dei a deixa para ele perguntar se eu curto mulher. E nada. Nada. Nada. Ele não perguntou. Prossegui com meu objetivo de saber quem, do nosso convívio.)

– Tá, olha, a Luana não vale. Tem que ser alguém conhecido nosso.

Ele pensa. Tá na dúvida se fala.

– Ah, acho que Paula.

– Quem é Paula?

– Que trabalha no escritório, a recepcionista.

– Ah sei, aquela morena bonitona que os nossos sobrinhos ficaram meio doidos com ela??

– Sim, ela.

– Seu malandro, de olho na recepcionista, heim? Hahahahahahahahaha.

Ele continuou sério.

– Ok, quem mais? Alguma esposa de algum amigo, alguém com quem a gente saia às vezes?

– Hm. A esposa do Ricardo é muito bonita.

– Verdade, é sim. Realmente, eu também acho.

Então fiquei esperando que ele prosseguisse com a conversa. Que ele perguntasse sobre o fato de eu ter comentado que até eu pegaria a Luana. Que ele perguntasse quem eu acho interessante do nosso convívio. Ele não falou mais nada, a conversa morreu aí. Terminamos nossa caminhada em silêncio e não houve mais, nem dias depois, nem meses depois, que ele voltasse nesse assunto, por qualquer motivo.

A gente não discute. Mas a gente também não conversa. Assim como não rimos juntos de nada. Eu não sei como ele agüenta. Eu não sei se ele é assim mesmo, se isso não o incomoda, ou se ele se aborrece com isso tanto quanto eu. Eu só agüento porque dou minhas escapadas. Sempre tenho um, dois ou três caras por quem eu me interesso e mantenho algum tipo de relacionamento com eles, seja só sexo, seja só amizade, seja um romancezinho besta. Enfim, é minha válvula. E ele? Não sei. Às vezes penso que ele sai com alguém nos finais de semana, quando diz que vai não sei aonde fazer não sei o que e eu nunca me interesso em ir junto. Talvez seja o momento do escape dele. Talvez não, talvez ele não minta para mim e apenas não se importe com essa situação.

Às vezes me sinto mal com isso tudo. Às vezes prefiro não pensar para não sentir. Às vezes quero que tudo vá para o inferno.

Decisions Parte II

Imagina se eu dou conta de tomar alguma decisão. É incrível a minha capacidade de perder-me em meus pensamentos, de viajar na batatinha e de distrair-me com o formato de uma nuvem qualquer.

O MV continua no meu msn. Continua sabendo quando estou on ou off. Nos encontramos em agosto e agora estamos em maio, ou seja, fazem 9 meses. Se fosse uma gravidez, estaria tendo o filho, hora do parto. Mas nem isso, nem parto nem recuo. Gente, o que acontece eim? Ele ficou uns três meses sumido, desde janeiro, quando eu disse a ele que estava afim de encontrar outro cara. Sim, essa abstinência absurda por ele que não é nada meu é mais absurda ainda do que uma simples abstinência. Ele zangou-se e sumiu, é um ciumento. Na realidade quando falei isso para ele eu já havia encontrado o B., mas omiti o fato para não deixá-lo mais puto ainda.

O B. foi tudo de bom, mas não é algo que dê futuro a alguém, digo, que valha um romance. Não que ele nada valha, pelo contrário, é um TDB, mas para mim não rola. Só sexo mesmo, e ainda assim recusei as demais investidas dele, as propostas para lá de indecentes que ele fez – e todas muito tesudas. Então, recentemente, o MV voltou a aparecer no meu msn, todo cheio de amor e saudades. Ele fala comigo como se eu fosse dele, uma namorada, uma amante ou alguém que é de alguma forma, toda dele e ele meu. Ele revela todo o desejo que sente e o até parece que gosta de mim. Disse que gosta, senão não estaria em contato comigo por tantos anos, sendo que tivemos apenas um encontro com sexo. Ou seja, que não é só sexo, que tem algo mais. Mas eu não consigo mais me apegar à essa idéia, apesar que o MV é o cara que todas sonham. Meldelsducel, esse homem merece tudo de bom nessa vida e eu mereço ele, com certeza. Mas não consigo entender porque não sonho mais com ele, porque não o desejo mais em minha vida como o desejava antes. Ele é lindo (cara e corpinho de modelo), inteligente, tem boa profissão (neurocirurgião), jovem, cheio de energia (transar com ele é uma maratona), tem um pau que vamos respeitar, carinhoso, gentil, culto, um doce de homem. Acho que a indecisão dele deixou-me indecisa também. Talvez eu tenha me afastado desse sentimento para não sofrer ainda mais com essa história. Minha vida é uma confusão da qual eu não consigo sair, então prejudico-me e crio essa tensão nele, que acaba voltando para mim.

Enfim, a minha decisão de afastar-me dele não deu certo. Eu continuo falando com ele, embora menos empolgada com tudo.

Nós temos muitas coisas em comum. Muitas mesmo, e uma delas é curtir rock. Ele é até vocal de uma banda de rock e adora Pearl Jam. Quando estivemos juntos, ele cantou algumas músicas para mim enquanto tomávamos banho. Pense na cena, os dois embaixo do chuveiro e ele cantando para mim, não é lindo? Meu rockeiro particular cantou, entre outras, Last Kiss:

 

Ulisses

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É o nome do meu marido. Alexandra e Ulisses ou Ulisses e Alexandra.  Das duas formas fica bom e eu gosto desses nomes, dos nossos nomes. Acho que os sobrenomes não são legais, mas os nomes são. De qualquer forma, não fomos nós que escolhemos nossos nomes e sobrenomes.

Enfim. Casamo-nos certo dia, por certa ordem. E os sonhos desfizeram-se. Mas o que mais me chateia é o quanto ele não me enxerga. Eu digo-lho: não posso tomar leite, tenho intolerância, sinto muitas cólicas. E o que ele faz para o meu café da manhã, cheio de carinho? Chocolate quente.

Acho que ele pretende envenenar-me com leite…