Retomando

A coisa andou complicada até esses dias. Eram tantos compromissos, tanta gente pedindo um pedaço de mim que quase enlouqueço. Sério. Crises familiares intermináveis. Gente indecisa até a tampa. E eu no meio, claro. Quem mais poderia ser, além de minha pessoa, com essa cara de paisagem, com a santa paciência para ouvir os choramingos e com palavras tranquilizadoras?

Muitas vezes, por dentro, eu estava num turbilhão; no entanto, para não piorar as situações já formadas, mantive toda a calma e tranquilidade possível. Às vezes quem passa por uma crise não precisa de mais uma pessoa se desesperando ao lado, mas de alguém que diga que as coisas vão dar certo, alguém que consiga ver algo positivo ou que consiga avistar melhoras no futuro. Vai ver eu sou essa pessoa.

E por isso mesmo eu não tenho em ninguém esse porto seguro. Eu, quando estou para desmontar e estou em desespero absoluto não consigo olhar em volta e encontrar alguém que simplesmente me abrace e diga “calma, as coisas vão se ajeitar, vai tudo ficar bem”. Às vezes eu quero somente o abraço, nem preciso das palavras, mas onde encontrar???

Enfim, sumi por causa destas coisas, que tomaram meu tempo quase completamente. E quando não tomou o tempo real, o que sobrou foi cansaço de tudo e apenas o desejo de deitar e apagar, ou de sumir por uns tempos.  Mas aqui estou. Aos poucos atualizarei umas coisas, terminarei de contar outras.

Por hoje, o que posso dizer é que nada deu certo com o Blue. Foi bem legal o clima e foi um período interessante aquele da paquerinha, mas ficou nisso. Ele acabou terminando suas tarefas por aqui e eu apaguei seus telefones do meu celular. Outro dia, andando no shopping, quase trombo com ele. Disfarcei, mudei o rumo, ele me viu, dei um “xauzinho” de longe e segui meu rumo. Estranho né? Um dia a gente se amassa e no outro nem quero conversar… Ser humano é mesmo um bicho esquisito.

Inrretudes

Menina Má me impressionou. Um amor assim não é normalmente visto por aí e senti-me um pouco parecida com ela. As aventuras e viagens da menina são semelhantes aos meus desejos antigos e inesquecidos, mas ao contrário dela sempre permaneci ao lado de meu Ricardito, levando uma vida pequeno-burguesa de dona de casa da classe média. Minhas travessuras sempre são cuidadas o suficiente para que o bom menino não tome-se por exaspero suficiente para deixar-me e então fazer com que eu me torne a figura esquelética, doente, solitária e sem teto que eu temo, desde os primórdios da minha vida. Isso não significa que meu Ricardito não se aperceba de minhas traquinagens, talvez apenas não tenha disposição suficiente para buscar a certeza, pois a certeza nos impele a decisões que às vezes contém um preço que não nos dispomos a pagar. Por vezes, a ignorância é uma benção, pois nos mantém num estado de tranqüilidade e conforto perfeitamente toleráveis.

Os caminhos de Lily são tortuosos e fascinantes. Dolorosos, por vezes, assim como poderiam ter sido os meus caso houvesse cedido aos meus impulsos beligerantes. Não sei que maldido bom-senso manteve-me impávida durante tantos anos e suas travessuras fizeram-me pensar nas minhas, Somocurcio tem um pouco de Ulisses, embora com uma bondade, uma paixão e uma devoção muito mais ampla e altruísta, muito mais aberta e declarada, muito mais amante e fiel.

Durante essa semana o que mais me ocorreu foi a frase de uma música que, por acaso, ouvi na rádio no caminho entre casa e trabalho: “… por te ver andando reto entre tudo que há de incerto em mim…” e desde então esse refrão martela em minha mente junto com minhas “inrretudes”, se assim posso chamar, com devida licença de Aurélio.