Retomando

A coisa andou complicada até esses dias. Eram tantos compromissos, tanta gente pedindo um pedaço de mim que quase enlouqueço. Sério. Crises familiares intermináveis. Gente indecisa até a tampa. E eu no meio, claro. Quem mais poderia ser, além de minha pessoa, com essa cara de paisagem, com a santa paciência para ouvir os choramingos e com palavras tranquilizadoras?

Muitas vezes, por dentro, eu estava num turbilhão; no entanto, para não piorar as situações já formadas, mantive toda a calma e tranquilidade possível. Às vezes quem passa por uma crise não precisa de mais uma pessoa se desesperando ao lado, mas de alguém que diga que as coisas vão dar certo, alguém que consiga ver algo positivo ou que consiga avistar melhoras no futuro. Vai ver eu sou essa pessoa.

E por isso mesmo eu não tenho em ninguém esse porto seguro. Eu, quando estou para desmontar e estou em desespero absoluto não consigo olhar em volta e encontrar alguém que simplesmente me abrace e diga “calma, as coisas vão se ajeitar, vai tudo ficar bem”. Às vezes eu quero somente o abraço, nem preciso das palavras, mas onde encontrar???

Enfim, sumi por causa destas coisas, que tomaram meu tempo quase completamente. E quando não tomou o tempo real, o que sobrou foi cansaço de tudo e apenas o desejo de deitar e apagar, ou de sumir por uns tempos.  Mas aqui estou. Aos poucos atualizarei umas coisas, terminarei de contar outras.

Por hoje, o que posso dizer é que nada deu certo com o Blue. Foi bem legal o clima e foi um período interessante aquele da paquerinha, mas ficou nisso. Ele acabou terminando suas tarefas por aqui e eu apaguei seus telefones do meu celular. Outro dia, andando no shopping, quase trombo com ele. Disfarcei, mudei o rumo, ele me viu, dei um “xauzinho” de longe e segui meu rumo. Estranho né? Um dia a gente se amassa e no outro nem quero conversar… Ser humano é mesmo um bicho esquisito.

Sexo, Amor e Casamento

Mais uma noite em que o sono custou a vir e foi embora logo. Foi uma noite bem curta e o resultado disso é depressão. Eu acordo muito triste e só sinto vontade de chorar. Fico olhando para minha vida e o que fiz até agora e não consigo entender direito porque eu não lutei e permiti que isso acontecesse comigo. Tudo bem, eu tive um grande e precioso motivo: minha filha. Foi uma escolha, ficar com ela, vê-la crescer, educá-la, amá-la, ser a verdadeira mãe dela ou entrar numa briga aonde eu provavelmente não teria forças para ir até o final e, no final, ainda perder a minha preciosa. Tá, foi uma escolha, eu a fiz e disso não arrependo-me. Mas por que aceitei o restante? Por que eu sempre me calo e nunca, nunca, nunca abro a boca e digo o que estou pensando?

O mais hilário disso tudo é que em algum momento eu acreditei que na vida adulta seria possível ter casamento, amor e sexo com uma única pessoa, tudo ao mesmo tempo. Olhando para a minha vida adulta, desde quando ela começou, não consigo definir se isso chegou a acontecer em algum momento, porque não sei se algum dia amei ou se apenas estava iludida com a situação. Hoje tenho casamento com um homem, sexo com qualquer outro e amor com nenhum. Acho que não tenho o que penso ser amor. Ou talvez eu não saiba o que é amor ou talvez o amor seja uma coisa diferente para cada pessoa, assim como a beleza é diferente para cada um, e o amor que eu desejo simplesmente não existe.

Então eu acho, estou chegando bem perto de ter certeza de que algumas coisas deverão fazer parte da minha vida novamente, e não sei até quando. Porque essas coisas ao menos dão-me uma sensação de calma que ultimamente não tenho tido, e embora sob o efeito destes eu saiba racionalmente que as coisas não estão como deveriam estar, ainda assim sinto-me calma para fazer ou não fazer algo. Tudo o que quero é apenas ter e manter o equilíbrio, mas gostaria de estar conseguindo fazer isso sozinha, sem o auxílio de Sertralina, Amitriptilina, Sódio ou outro elemento regulador qualquer, mas eu não estou conseguindo. Fazem dois anos que não uso nada mas há dez meses venho sentindo esse balanço, essa instabilidade.

 

Então como eu ando sentimental, saudosista, imbecil e apaixonada por uma situação que talvez algum dia eu viva, não se sabe quando, “deixe essa água no corpo lembrar nosso banho”:

Florzinha

Se raiva matasse, neste momento, eu estaria morta.

Ele ficou enrolando a manhã toda, e eu comecei o dia cuidando das tarefas domésticas. Então, como quem se diz prestativo veio com aquele “quer uma ajuda?”, e eu respondo “se você quiser ajudar…”. Começa a lavar a louça que eu estava lavando (na boa, tem varandas enormes para lavar, tem um quintal monstro para arrumar um jardineiro que venha fazer a manutenção – ele poderia ajudar fazendo o que não está sendo feito), mas tudo bem, tem panelas, penso eu… ele vai pelo menos lavar as panelas… mas o que?? Lavou meia dúzia de pratos e de copos e caiu fora. As panelas ficaram para a boneca aqui.

A florzinha não pode fazer força para lavar uma panela. Vá à merda!

Síndromes…

Querido Diário,

Há pouco mais de um ano, meu sistema digestório passou por transformações bruscas e desagradáveis. Cheguei ao ponto de pensar que teria que viver de dieta para todo o sempre, e nessa agonia, nessa tortura de não saber ao certo o que posso ou não posso comer. Meu humor intestinal anda péssimo.

Enfim, chegou a um ponto simplesmente intolerável. Venci minha resistência e procurei um gastro. Uma “gastra”, pra ser sincera. E já fui pensando, merda, vai pedir endoscopia. Felizmente minha gastra é de conversar e não pediu, disse que meu problema pode ser resolvido com remédio (viva! não vou precisar ficar escolhando tanto os alimentos!), mas que, se não der certo, teremos que fazer exames mais investigativos. Meu exame sanguíneo está perfeito, não há nenhum outro problema que possa interferir nisso. Ufaaaaaaaaaa!!!!

Então, essa noite começarei a tomar os “memédios”. Dentro de um mês saberei se está dando certo.

E para que vocês entendam como sinto-me aliviada: