Sinais

Lembrar coisas da infância às vezes é engraçado. Às vezes dá uma saudade imensa. Eu estudava no coleginho, àquela época. Eu e meu brow. Íamos de kombi para a escola, após o almoço. Lembro que meu irmão não curtia muito estudar, sempre dava trabalho para minha mãe para fazer as tarefas, e eu adorava e fazia todas rapidinho. Na escola eu arrumei algumas encrencas, não adiantava a coleguinha falar para eu não sentar-me à mesma mesa que ela, eu sentava, pois a mesa era da escola e não exclusiva dela. Lembro dos almoços que minha mãe fazia, e que eu sentava-me em cima da mesa, ao lado do fogão para tomar o caldinho do arroz e enfiar o dedo no sal. Lembro das aulas de costura da minha mãe, das roupas que ela costurava, de como era nossa casa, da bisa que morou conosco e com quem eu ranhetava (e ela comigo), lembro uma vez que chorei porque ouvi uma história de que teria guerra e que os homens seriam convocados para a batalha e eu fiquei com medo de não encontrar mais o meu pai – e de como meu irmão me consolou para que eu parasse de chorar. Essas coisas aconteceram quando eu tinha algo entre 4 e 6 anos de idade, eu fazia o prezinho, meu irmão estava um ano adiante de mim; lembro da professora ensinando-me a escrever meu nome e eu não tinha a menor idéia de que letras usar e toda hora perguntava qual letra vinha depois. Teve uma vez que fomos (eu e minha mãe) visitar a vizinha que fazia fundos com a nossa casa, na rua de baixo. Sei lá porque fomos visitá-la, só lembro que a filha dela era uma de minhas amiguinhas e que certa vez essa guria teve sarampo, e eu ficava tentando entender o que era sarampo e se isso tinha alguma coisa a ver com sapos. Bom, nessa visita a vizinha ofereceu gelatina com não sei o quê, só sei que tinha gelatina no meio e que estava uma delícia. Aceitei o primeiro e fiquei morrendo de vontade de aceitar o segundo, mas minha mãe só deu aquela olhadinha básica e eu desisti de aceitar o segundo potinho de sobremesa.

Meus pais tinham um amigo que visitávamos também, eles tinham dois filhos e depois que mudamos dali (fomos para outra cidade) eu não vi mais os garotos. No entanto, anos mais tarde (uns dez anos) eu reencontrei o mais novo e apaixonei-me por ele. Mas isso é outra história.

Na cidade em que morávamos havia (e ainda há) um ponto turístico, diria assim, que fica no final de uma avenida. Nessa avenida havia uma farmácia de um amigo de meu pai e uma lanchonete (sim, antigamente haviam bares do tipo botecão para homens e lanchonetes para as famílias) aonde eu adorava que ele me levasse. Nessa lanchonete eu gostava de tomar vitamina e comer calabresa frita, e depois dar uma volta nesse tal ponto turístico. Era o meu passeio de infância. Lá nesse tal ponto haviam muitos hippies vendendo bugingangas e certa vez meu pai comprou-me um colarzinho branco, que guardo até hoje, uns 30 anos depois.

Acho que um dos melhores presentes do nosso corpo é a memória, poder lembrar-se dessas coisas como se houvessem acontecido ontem. Na cabecinha da gente, parece que o tempo não passa.

Certa vez estavámos voltando para casa após a escola e eu conversava com uma coleguinha, falávamos de namorado, quem namoraríamos, quantos, quando. “Ah, quando eu crescer vou namorar o fulano”, mais ou menos assim a conversinha besta. Daí, com o veículo passando nas ruas, ela comçou a apontar vários rapazes que iam surgindo no caminho, não deixando sequer um para mim, dizendo que ela namoraria esse, aquele e ainda aquele outro. E eu fiquei pensando “que seja, quando eu crescer vou namorar uns cinqüenta”. E eu nem sabia direito o que era namorar, mas queria muito beijar todos.

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Resolvi…

… começar pelo início. Então, eu nasci. Uma linda e bocuda branquela miúda. Dessa fase da minha vida, lembro-me bem pouco. Até quando eu já tinha uns quatro aninhos de vida.

Bom, eu com quatro para cinco anos. Morava com meus pais e irmão no interior. Nossa casa era do BNH e não tinha asfalto na rua. A vizinha da frente tinha uma filha da minha idade, com quem eu às vezes brincava, às vezes brigava. Na casa ao lado, haviam dois adolescentes, a filha e o filho da D. Mercedes. Eu achava o filho dela o máximo. Certa vez minha mãe fez-me um vestido frente única e eu fui toda enzibidinha andar na rua só para o vizinho ver minhas costas, me achando a última bolacha do pacote.

Falando em bolacha, D. Mercedes fazia uns biscoitinhos maravihosos e sempre dava-me alguns. Até o dia que minha mãe morreu de vergonha porque eu fui até a vizinha pedir para ela assar biscoitos para mim, então mamãe pegou a receita e passou a fazer biscoitos maravilhosos. Também era da nossa turminha mais uns três ou quatro guris que moravam nas casas vizinhas. A gente brincava e brigava, e algumas vezes eu batia neles.

Bom, certa vez apareceu um vendedor de fotos em casa. Daqueles ambulantes que vendem de porta em porta e minha mãe fez um álbum lindo comigo e meu irmão. Mamãe é mesmo uma pessoa especial. Cozinhava (e cozinha) uma maravilha, muito caprichosa, também costura e borda.

Voltando a minha infância… um dia a prefeitura resolveu asfaltar nossa rua, nosso bairro. Daí despejou vários caminhões de pedras brutas, daquelas azuladas e bem grandes. Então, enquanto o rolo compressor não achatava-as, nós brincamos de fazer casas iguais às dos Flintstones. Em minha rua, passava um moço vendendo Yakult, ele levava um assobio e quando passava lá nós sempre comprávamos um. Uma vez passou um garoto pedinte e minha mãe deu a ele 1/2 abacate. Ele sentou-se na calçada e comeu, e pediu mais. Mamãe deu a outra metade e ele jogou fora. A partir desse dia minha mãe não quis mais dar comida para pedinte.

E agora estou com sono.

Primeiro

Não sei exatamente qual a minha intenção com esse blog. Acho que é treinar a escrita. Sim, treinar a redação é uma boa idéia, veremos o que sairá daqui.